HOMENS E MULHERES DA PALAVRA E DE PALAVRA

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Palavra tem valor! Palavra tem força! Palavra tem peso! Toda palavra é sagrada, por sua própria natureza! Mas, nem sempre é assim. Depende da boca; depende da pessoa; depende do contexto. A palavra passa pelo filtro de quem a profere e, de certa maneira, ecoa sua vida, sua história, seu crédito ou descrédito. Por isso, quando alguém fala, não está, simplesmente, soltando palavras. Quando alguém fala está publicando uma noticia e, ao mesmo tempo, publicando-se. Entendemos, portanto, que, quando proferida, uma palavra tem o valor, tem a força e tem o peso de quem a profere.

Palavra é obra de uma vida! Palavra é eco de uma história. Palavra é sacramento da verdade. Se a pessoa é de confiança, sua palavra, também, é respeitada, ouvida, repetida e seguida. Quando, porém, uma pessoa não goza de crédito e de confiança, sua palavra não ecoa a verdade, é desmerecida por um tanto, é desmentida por outro tanto, repudiada por mais outro tanto e, por imposição ou medo de coerção é tolerada por muitos.

Tomemos como ilustração uma parábola contada por Kierkegaard (1813-1855) e aplicada nas obras de Harvey Cox, (A Cidade do Homem, 2ª ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1971, p. 270) e J. Ratzinger (Introdução ao Cristianismo, São Paulo, Herder, 1970, p. 7-8).

“Certa vez, um circo se instalou próximo de uma cidadezinha dinamarquesa. Este circo pegou fogo. O proprietário do circo vendo o perigo do fogo se alastrar e atingir a cidade, mandou o palhaço, que já estava vestido a caráter, pedir ajuda naquela cidade a fim de apagar o fogo, falando do perigo iminente. Mas, inútil foi todo o esforço do palhaço para convencer os seus ouvintes. Os aldeões riam e aplaudiam o palhaço entendendo ser esta uma brilhante estratégia para fazê-los participar do espetáculo… Quanto mais o palhaço falava, gritava e chorava, insistindo em seu apelo, mais o povo ria e aplaudia… O fogo se propagou pelo campo seco, atingiu a cidade e esta foi destruída.”

Mensagem e mensageiro se completam na transmissão, fidedigna, de uma informação ou notícia. Não basta badalar uma informação aos quatro cantos do mundo. É preciso assinar em baixo com a verdade e os créditos da própria vida.

Eis, portanto, onde reside o grande mal da bisbilhotice, da fofoca e do diz-que-me-disse. Ninguém tem o direito de estragar o valor, a força e o peso de uma palavra. É por isso que Paulo faz o alerta: “Que nenhuma palavra inconveniente saia da boca de vocês; ao contrário, se for necessário, digam boa palavra, que seja capaz de edificar e fazer o bem aos que ouvem” (Ef 4,29) e, Tiago assevera: “Se alguém pensa que é religioso e não sabe controlar a língua, está enganando a si mesmo, e sua religião não vale nada.  Religião pura e sem mancha diante de Deus, nosso Pai, é esta: socorrer os órfãos e as viúvas em aflição, e manter-se livre da corrupção do mundo” (Tg 1,26-27).

Acontece, porém, que, nunca a palavra valeu tão pouco como agora, em nossos dias, e, entre nós. Nunca a palavra sofreu tanto descrédito por causa de sua banalização.

Na tradição bíblica, o profeta é o homem “da” palavra e “de” palavra.

Falta no mundo de hoje e, no tempo presente, homens e mulheres “da” palavra e “de” palavra: profetas e profetizas.

O desejo de Deus está expresso nas palavras do livro sagrado: “Do meio dos irmãos deles, eu farei surgir para eles um profeta como você. Vou colocar minhas palavras em sua boca, e ele dirá para eles tudo o que eu lhe mandar. Se alguém não ouvir as minhas palavras, que esse profeta pronunciar em meu nome, eu mesmo pedirei contas a essa pessoa. Contudo, se o profeta tiver a ousadia de dizer em meu nome alguma coisa que eu não tenha mandado, ou se ele falar em nome de outros deuses, tal profeta deverá ser morto” (Dt 18,18-20).

Jesus é, reconhecidamente, o Profeta. Sua palavra é expressão fidedigna de sua pessoa; Ele é a Palavra do Pai; a profecia em pessoa: “Foram à cidade de Cafarnaum e, no sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. As pessoas ficavam admiradas com o seu ensinamento, porque Jesus ensinava como quem tem autoridade e não como os doutores da Lei” (Mc 1,21-22).

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

Foto: Google

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