A sabedoria que provém da gratidão

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Não está ao nosso alcance e poder controlar a vida. Mesmo que quiséssemos, existem inúmeras variáveis que ultrapassam nossas limitadas capacidades e possibilidades. Isso não significa que não podemos fazer nada para melhorar a nossa vida e o que está a nossa volta. Não! Nós não estamos submetidos à uma prisão. Pelo contrário. Nós temos condições e competência para mudar o mundo, naquilo que o mundo pode ser mudado. Infelizmente, gastamos energia e força brigando contra uma certa “ordem do universo”; agindo, excentricamente, contra seus fluxos, movimentos, sistemas, funcionamento e equilíbrio.

Existe um “encaixe” perfeito de todos os seres vivos no universo – e de modo particular, na terra – mesmo quando uma situação adversa pareça tão inóspita e incrivelmente contraditória à existência e à sobrevivência.

Quando a lógica da improbabilidade ceder lugar à gratidão por tudo o que, ainda, somos, temos e podemos haverá razão para continuar buscando saídas. E, certamente, não tardarão chegar novas possibilidades, mesmo na situação mais caótica da vida.

Tudo é possível para quem não fecha toda a vida, à generalização do infortúnio de um momento, mesmo que, por vezes, repedido. A questão é, sempre, saber fundar novos começos, acreditar e perseverar.

Na semana passada, encontrei um senhor que me deu uma lição de gratidão, perseverança e fé.

Depois de um bom tempo de conversa, perguntei-lhe sobre a situação de sua roça e quais esperanças guardava de colheita.

Ele fez um breve silêncio antes de responder e, eu imaginei que ele ia soltar um daqueles reclames próprios de quem está sempre surpreendido pelo “infortúnio” da seca.

O fato é que, depois das promissoras chuvas do começo do ano, o sol ganhou terreno e invadiu a esperança de colheita.

Depois do silêncio ele sorriu e quase como segredando, disse em tom de oração: “A roça tá boa! A terra recebeu a semente… brotou… ganhou folhas e agora está crescendo. Não sei se vai chegar a dar fruto, porque o sol está muito quente. Mas, já me dou por satisfeito porque, fazia muito tempo que não eu via uma roça verde. É verdade que, agora, não está tão verde. Mas, o que os meus olhos viram já encheu meu coração de satisfação e prazer. Se não for desta vez, a gente planta, de novo, o ano que vem!”

Fiquei impressionado com aquelas palavras: tão simples e tão sábias.

Ele parou de falar enquanto olhava longe, em direção da roça.

Eu entrei no silêncio dele.

Nisso, apareceram umas cabras com filhotes berrando e, ele, então, retomou a palavra e disse: “Pra mim já está certo o seguinte: o que a roça der e a gente não puder aproveitar, a gente entrega para os bichos… Aqui em casa, o que não falta é animal para dar de comer…”

Depois que saí da casa daquele senhor, fui para casa e aquelas palavras grudaram na minha mente. Fiz minha oração e pedi a Deus que me desse o senso de gratidão daquele homem.

Tudo o que nos acontece não é sorte e nem azar: é o universo se movimentando.

Cabe a cada um de nós, usar a sabedoria da vida, no pouco ou nos muitos anos vividos, para construir o itinerário da gratidão.

Vive melhor quem, ao invés da revolta e do desespero, sabe tomar como ponto de partida toda e qualquer situação diante da qual estiver.

Eu quero viver com a sabedoria que provém da gratidão  

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos  

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