Pode ser que um dia não mais existamos. Mas, se ainda sobrar amizade, nasceremos de novo um para o outro. (Albert Einstein)
Na vida sempre houve e sempre haverá tempo difícil. Que o digam os pais de família, os desempregados, os doentes em fase terminal, os marginalizados, os pobres, os ameaçados, os perseguidos, os famintos, os sem voz, os sem vez…
Nos tempos difíceis o medo fica, absolutamente, maior e, absurdamente, desmobilizador. Uma sensação de abandono toma conta das pessoas e um sentimento de solidão toma conta, por inteiro, das pessoas. Tudo dá medo e pavor! Não há alegria e nem esperança. Mas, fica evidente a necessidade de alguém que esteja próximo; que se faça presente; que venha ao encontro; que dê um apoio; que ofereça o ombro; que ofereça um abraço…
Amigo é tudo em tempo difícil! É como um bálsamo!
Mas, o amigo necessário, na hora difícil, não vem de repente; não acontece por acaso; não surge sem ser cultivado.
É no ordinário da vida, no cotidiano da história que a amizade vai sendo formada, firmada e confirmada com pequenos gestos, delicadezas, gratuidade, bondade, presença, correção, solicitude…
A amizade faz circular o bem como fonte de alegria. E, por mais amplo que seja o círculo das pessoas, a alegria sempre volta nos braços de quem a distribuiu.
Acompanhe comigo esta história…
“Um dia, um camponês apresentou-se à porta de um convento e ofereceu ao irmão porteiro um cacho de uvas:
– Este cacho de uvas é para si, porque sempre me tratou com muita amizade e me ajudou quando precisei. Desejo que este cacho de uvas lhe dê alguma alegria.
O frade porteiro passou a manhã a olhar para o magnífico cacho. A um certo momento, teve uma ideia:
– Por que é que não levo estas uvas ao abade, para lhe dar um pouco de alegria? Pegou no cacho e levou-o ao abade. Mas este lembrou-se que no convento havia um frade idoso e doente e pensou:
«Levo-lhe as uvas e dou-lhe uma grande alegria». E assim fez. Mas o frade doente, com o cacho nas mãos, pensou:
– Levo-o ao irmão cozinheiro, que tanto se sacrifica por nós!
E o frade cozinheiro pensou e levou-o ao sacristão. Este, por sua vez, levou-o ao frade mais novo do convento, que o deu a um outro.
E, de mão em mão, o saboroso cacho de uvas voltou às mãos do frade porteiro.”
A Sagrada Escritura lembra: amizade é um relação sagrada! Por isso é um tesouro que vamos aprendendo a lapidar e descobrindo o seu valor.
Tomemos para nós o que nos dá o livro do Eclesiástico:
“Se você quiser um amigo, coloque-o à prova, e não vá logo confiando nele. Porque existe amigo de ocasião, que não será fiel quando você estiver na pior. Existe amigo que se transforma em inimigo, e envergonhará você, revelando suas coisas particulares. Existe amigo que é companheiro de mesa, mas que não será fiel quando você estiver na pior. Quando tudo correr bem, ele estará com você, mas quando as coisas forem mal, ele fugirá para longe. Se você for apanhado pela desgraça, lhe dará as costas e se esconderá de você. Mantenha-se longe de seus inimigos e seja cauteloso com os amigos. Amigo fiel é proteção poderosa, e quem o encontrar, terá encontrado um tesouro. Amigo fiel não tem preço, e o seu valor é incalculável. Amigo fiel é remédio que cura, e os que temem ao Senhor o encontrarão. Quem teme ao Senhor tem amigos verdadeiros, pois tal e qual ele é, assim será o seu amigo. (Eclo 6,7-17).
Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos
Foto: Google










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