Palavra do Bispo

“Pela graça de Deus sou o que sou” (1 Cor 15,10)

Autor: Dom Edilson Soares Nobre

Aos sacerdotes, religiosos (as), leigos (as) consagrados, agentes de pastorais, serviços e movimentos da diocese de Oeiras.

Desde o dia 21 de dezembro de 2016 fui comunicado, através da Nunciatura Apostólica do Brasil, que o Santo Padre o Papa Francisco me havia escolhido para ser o bispo desta porção do povo de Deus, localizada na microrregião de Picos no Piauí. Desde então, tenho procurado com serenidade e com intensas orações, interiorizar e processar este momento novo em minha vida. Confesso que não tem sido fácil, pois eu não imaginava que Deus teria mais propósitos para mim além do que já me havia posto. No entanto, saibam que abraço a causa com amor e total confiança na Providência Divina e na boa receptividade que espero da parte de vocês. Sou um padre, cujas origens estão arraigadas em solo Potiguar, banhado pelo sangue dos beatos mártires que testemunharam a fé no ano de 1645 e que deram suas vidas pela fidelidade à Igreja católica em duas pequenas comunidades chamadas Cunhaú e Uruaçu. Nos meus 25 anos de presbítero pude exercer o ministério sacerdotal em regiões bem variadas: fui padre do Sertão, do Litoral e do Agreste. Ultimamente, encontro-me na Capital do Rio Grande do Norte, a cidade do Natal, conhecida como a noiva do sol, contribuindo com o meu bispo Dom Jaime Vieira Rocha, exercendo a função de Vigário Geral, coordenador do Setor Comunicação e pároco da paróquia de Sant’Ana, no bairro de Capim Macio. Estou pronto e encorajado para deixar tudo, inclusive a minha família que habita nestas terras (o que não é fácil), para abraçar a missão que a mim está sendo confiada, pois, sempre procurei manter-me firme no meu propósito de ir aonde a Igreja manda. Confesso que nunca imaginei que a Igreja iria  me mandar para além das fronteiras da Arquidiocese de Natal. No entanto, faço como Samuel diante do chamado do Senhor: “Fala Senhor, que teu servo escuta” (1 Sm 3,10).

Nestes dias, meus irmãos e minhas irmãs, além da busca contínua da oração, tenho na minha curiosidade, buscando a ajuda das mídias sociais, procurado saber como é a vida, a religião, a geografia, a hidrografia, o clima, a economia, a arquitetura, a cultura e as atrações existentes em meio a este povo de Oeiras e Região. Alegra-me saber que chegando a estas terras serei abraçado pela padroeira nossa Senhora das Vitórias. Lanço-me aos seus pés e sob o seu manto, e invoco a sua proteção. Que ela nos proteja e que sejamos vitoriosos nos projetos pastorais missionários que haveremos de abraçar. Alegro-me saber que Oeiras é tida como uma das cidades mais religiosas do estado do Piauí. Me desperta a curiosidade de conhecer as festas tidas como as maiores da região: A festa de Nossa Senhora da Vitória e de Nossa Senhora da Conceição; assim como as ações devocionais e litúrgicas da Semana Santa, que pelo histórico parecem se destacar, atraindo os habitantes da região. Quero conhecer-te Oeiras, cidade tombada e reconhecida pelo IPHAN como patrimônio cultural nacional. Chegarei aí em breve para conhecer o Solar das 12 janelas,  o Centro de artesanato Salomé Tapety,  o Museu de Arte Sacra, o Sobrado Major Selemérico, a Casa da Pólvora, o Museu do Divino Espírito Santo, o Cine Teatro de Oeiras, a Ponte Grande (primeira ponte de pedra do Piauí) e certamente, tantas outras belezas do ponto de vista histórico e turístico que a Região tem a oferecer. Pretendo chegar junto, o mais próximo possível, para contemplar a fé de vocês, principal patrimônio que os move e que os impulsiona para viver a vida com serenidade e de cabeça erguida, na busca de conquistas e dignidade para todos. Quero conhecer e abraçar cada sacerdote, cada religioso(a), cada vocacionado(a), cada leigo(a) comprometido(a) com a causa da evangelização. Pretendo visitar e conhecer cada paróquia desta porção do povo de Deus, com suas histórias e peculiaridades. Interessa-me conhecer a vida e a história de cada ovelha que se encontra neste redil: suas alegrias e tristezas, suas vitórias e derrotas, suas angústias e esperanças.

Chegarei aí para continuar a história que vem sendo construída ao longo do tempo e que tem contado com a colaboração de tantos personagens: bispos, sacerdotes, religiosos(as), leigos e leigas; alguns ainda na ativa, outros já partiram para a casa do Pai ou se mudaram para habitar em outras terras. Chego para dar sequência à galeria daqueles que já pastorearam esta Igreja diocesana: Dom Francisco Expedito Lopes, Dom Raimundo de Castro e Silva, Dom Frei Ediberto Dinkelborg, Ofm, Dom Fernando Panico, Mscj, Dom Augusto Alves da Rocha e Dom Juarez Souza da Silva.

Chego com alegria, imbuído do espírito proposto pelo Papa Francisco na Encíclica Evangelii Gaudium: “A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus” (EG 1). Pretendo somar força no combate e na superação do que afronta o mundo atual. Como diz o Papa nesta mesma Encíclica: “O grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem” (EG 2).

Aproveito a ocasião para fazer o registro da minha gratidão a todos os que fazem a Arquidiocese de Natal: A Dom Jaime Vieira Rocha, o meu bispo! Aos irmãos presbíteros e diáconos, aos religiosos(as), aos irmãos e irmãs leigos(os) engajados, aos meus paroquianos de Capim Macio, aos ex paroquianos das paróquias que me foram confiadas no passado, aos que fazem o Setor Comunicação da Arquidiocese e todos os fiéis com quem tive a honra e a graça de conviver, minha gratidão! Minha eterna gratidão! Pois, sou o que sou, pelo que pudemos fazer juntos. Sou o que sou, porque Deus colocou em minha vida pessoas maravilhosas que me ajudaram a crescer e exercer o meu ministério. Invoco a proteção de Nossa Senhora da Apresentação, padroeira desta Arquidiocese, para que ela interceda a Deus por mim e por todos nós!

Finalmente, amados irmãos! Quero dizer que o que está acontecendo, eu não tenho explicação, mas afirmo, no mais profundo do meu ser, que não é um projeto pessoal, não é um desejo, não é uma estratégia arquitetada, não é mérito nenhum de minha parte. É graça! É puramente graça! São os desígnios de Deus que não têm explicação. Hoje, mais que nunca, estou convencido disto, o que me leva a declarar, fazendo minhas as palavras de São Paulo: “Pela graça de Deus, sou o que sou” (1Cor 15,10). Mais uma vez me coloco nas mãos de nosso Senhor Jesus Cristo e peço ser, a cada dia, iluminado por seu Espírito para que eu contribua, no processo da sucessão dos Apóstolos, com o bem da Igreja e da humanidade.

Deus abençoe a todos!

 

Mons. Edilson Soares Nobre

Bispo eleito de Oeiras

 

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