Palavra do Bispo

Homilia de Dom Edilson Soares por ocasião de sua posse

“Eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir minha voz e abrir a porta entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Ap 3,20).

Queridos irmãos e irmãs, que vieram dos mais distintos lugares deste Regional NE4 e do Regional NE2, ou de outras partes do Brasil. Caros diocesanos, porção do povo de Deus da Diocese de Oeiras! Eis que como peregrino, sucessor dos Apóstolos e Pastor deste rebanho, bato à porta e peço licença para entrar. Entrar em vossas casas, conhecer vossas famílias, penetrar os vossos corações, mergulhar no mais profundo do ser de cada um, armar a tenda e fazer morada.

Finalmente, chegou o dia de pisar em terra firme nesta microrregião do sudeste piauiense. Região que desde dezembro passado eu vinha visitando com certa frequência, virtualmente e através da obra do escritor, médico e historiador Dagoberto Carvalho, com o título “Passeio a Oeiras”. Deu pra conhecer bastante a tua história e a tua cultura. Mas nada como a experiência interpessoal, o contato, o abraço, o cheiro das ovelhas, o relacionamento comunitário, o dia a dia, afinal, coração só se enche com gente!

Sou um missionário vindo de terras potiguares, banhadas por sangue de Mártires (já beatificados e que deverão ser canonizados este ano), enviado pelo sucessor de Pedro, o Santo Padre o Papa Francisco, para unir-me a vocês e contribuir com a missão confiada ao Bispo de Ensinar, Santificar e Governar o povo de Deus, tríplice missão que não pode faltar ao zelo do Pastor. Bem nos atesta o Código do Direito Canônico, “Os Bispos que, por divina instituição, sucedem aos Apóstolos, são constituídos, pelo Espírito que lhes foi conferido, pastores na Igreja, a fim de serem também eles mestres da doutrina, sacerdotes do culto sagrado e ministros do governo” (Can. 375 §1).

Chego, como falei na mensagem que lhes enviei pela ocasião de minha nomeação, “para continuar a história que vem sendo construída ao longo do tempo e que tem contado com a colaboração de tantos personagens: bispos, sacerdotes, religiosos(as), leigos e leigas; alguns ainda na ativa e outros já partiram para a casa do Pai ou se mudaram para habitar em outras terras. Chego para dar sequência às experiências exitosas daqueles que já pastorearam esta Igreja diocesana: Dom Francisco Expedito Lopes, Dom Raimundo de Castro e Silva, Dom Frei Ediberto Dinkelborg, Ofm, Dom Fernando Panico, Mscj, Dom Augusto Alves da Rocha e Dom Juarez Souza da Silva”.

Quão rica e bela é a missão de um Bispo. A Exortação Apostólica Pós-Sinodal do Sumo Pontífice João Paulo II Pastores Cregis (Pastores do Rebanho), que trata da vida e da missão do Bispo me estimula consideravelmente. Vejamos alguns pontos: “Os Bispos sabem que podem contar com a graça divina especial no cumprimento de seu ministério” (1).  “A figura de Jesus Bom Pastor constitui a imagem privilegiada à qual se deve constantemente fazer referência” (1). “É tarefa de cada Bispo anunciar ao mundo a esperança” (3). “Temos o dever de congregar a família dos fieis e nela fomentar a caridade e a comunhão fraterna” (5). “Todas as atividades do Bispo devem ter como finalidade a proclamação do Evangelho” (31).

Esta noite, meus irmãos e irmãs, é oportuna e pertinente para vivenciarmos a nossa eclesialidade e fomentarmos o sentimento de pertença e de corresponsabilidade na missão que Jesus confiou a todos nós pela graça do batismo e demais sacramentos. Portanto, para que eu desempenhe de modo eficiente e eficaz a minha missão, é imprescindível a colaboração de todos, começando pelo meu clero, os meus colaboradores de forma mais direta na ação missionária da Igreja. Valho-me do Decreto Lumen Gentium, do Concílio Ecumênico Vaticano II para fundamentar minha interpelação: “Os Bispos com seus auxiliares, presbíteros e diáconos receberam o encargo de servir a comunidade, presidindo no lugar de Deus ao rebanho do qual são pastores, como mestres da doutrina, sacerdotes do culto sagrado e ministros do governo”.

Desejo sentir nesta Igreja Particular o espírito de colaboração e o empenho de todos para que se evidencie sempre mais o rosto de uma Igreja pautada na vivência da comunhão e participação, uma igreja missionária e servidora, comprometida com os pequenos e desprezados pela sociedade. O meu desejo, na verdade, é que cada fiel sinta-se protagonista na missão evangelizadora.

Em tudo a caridade – “in omnes caritas” – Trago este lema para servir de parâmetro para mim, nas ações e decisões a serem tomadas. E para servir como leme que dá movimento ao “barco”. O que é a caridade? Caridade é amor. A primeira Carta de São João, capítulo 4, versículo 16, apresenta-nos o mais perfeito conceito de Deus: “Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele”. Qual é a disposição de quem está imbuído do amor de Deus? Nada mais explicativo do que o texto de I Coríntios, capítulo 13, sobretudo, os versículos 4 a 8: “A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade jamais passará”   É claro que isto não significa dizer que devo estar de acordo cum tudo que acontece ao nosso redor e na sociedade, somente para satisfazer os gostos dos outros. Não é ser bonzinho em toda e qualquer circunstância; isto não é caridade. Em nome da caridade eu não posso ser omisso com quem comete a injustiça, nem posso deixar de ser verdadeiro naquilo que pelas minhas convicções imagino que precisa de correção. No entanto, isto pode ser feito com o sentimento paterno, fraterno e amoroso.

Aos meus irmãos no episcopado deste Regional NE4 (Dom jacinto, Dom Juarez, Dom Eduardo, Dom Plínio, Dom Marcos, Dom Valdemir… Dom Augusto, Dom Miguel, Dom Celso, Dom Alfredo, Dom Frei Cândido), chego com a abertura do coração para compor este colegiado e colaborar em tudo o que estiver ao meu alcance. Venho para somar e preservar a unidade.

Quero agradecer ao Padre Henrique Geraldo, que junto ao Colégio de Consultores, procurou nestes 12/13 meses de vacância, dar continuidade à ação pastoral e administrativa da Diocese, que vinha sendo desempenhada pelo meu predecessor Dom Juarez. Deus lhe recompense pelo zelo e pelo amor que o senhor tem demonstrado a esta Igreja.

Ao Clero de Oeiras, aos Religiosos e Religiosas! Aos leigos e leigas que animam a ação missionária e evangelizadora. Quero contar com o apoio, a colaboração, a presença, o empenho e a corresponsabilidade de vocês nos projetos a serem pensados e desempenhados pela Igreja Diocesana. “Ninguém fora do barco, remando sozinho”. Formamos um só povo e um só rebanho. Não obstante a diversidade, preservemos a unidade, a catolicidade de nossa Igreja.

Às Autoridades – Agradeço por estarem conosco. Saibam que chego como parceiro no que diz respeito aos projetos favoráveis aos mais pobres e necessitados,  sobretudo, os desenvolvidos na perspectiva da promoção humana.

Um pedido a todos! Em suas orações peçam a Deus pela santificação deste bispo Dom Edilson, dos meus clérigos, pelos religiosos e religiosas e pelas vocações ao ministério ordenado e à vida consagrada. Queridos seminaristas não se cansem por esperar, sejam perseverantes na oração e no bom propósito de servir à Igreja. Irmãos e irmãs, formemos uma ampla rede de intercessores junto ao Senhor da Messe para que não nos falte operários para a vinha do Senhor.

Os meus agradecimentos mais sinceros a todos que aqui estão.

Aos meus irmãos no episcopado, sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas, seminaristas, agentes de pastorais, serviços e movimentos, comunidades de vida e aliança, autoridades…

A todos vocês que vieram de Natal, da Arquidiocese de Natal, acompanhados do seu Pastor Dom Jaime Vieira Rocha e de seus sacerdotes para entregar este filho ao Piauí, muito obrigado! Saibam que me sinto muito lisonjeado com suas presenças e convicto de que as amizades, os vínculos que foram estabelecidos haverão de perdurar entre nós para sempre. A partir de hoje, estabelece-se um canal entre nós, de modo que aqui as portas estarão sempre abertas para lhes acolher. Venham, sempre que quiserem visitar este Bispo amigo e este povo de Oeiras. De hoje em diante,  construímos uma ponte que nos manterá ligados e unidos, como Igrejas irmãs.

Aos demais que vieram de outras partes, quero agradecer-lhes pela consideração e pelo apreço. Deus lhe pague pelo esforço de estarem aqui.

Concluo pedindo a bênção e proteção de Nossa Senhora da Vitória, a Bem Aventurada Virgem Maria, Mãe de Jesus Cristo, Mãe da Igreja. Peço que zele e preteja este seu filho, para que ele nunca se canse pelo fardo da missão e nunca perca o brilho dos olhos pela alegria e encanto de semear a semente do Reino de Deus.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Oeiras, 01 de abril de 2017.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo de Oeiras

 

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