Palavra do Bispo

“Façam o que ele vos disser” (Jo2,5)

Autor: Dom Edilson Soares Nobre

TEMA: 300 ANOS DE BÊNÇÃOS E GRAÇAS

LEMA: “Façam o que ele vos disser” (Jo2,5)

 

Estamos dando início hoje à festa de Nossa Senhora da Vitória, padroeira de nossa Diocese e do Piauí. Com o tema “300 anos de bênçãos e graças” estaremos em sintonia com a nossa Igreja Católica no Brasil que celebra os 300 anos do providente milagre experimentado por três pescadores, quando encontraram aquela imagem, aparentemente insignificante (quebrada, velha e suja), às margens do Rio Paraíba do Sul. À partir daquele dia muitas graças e bênçãos foram derramadas na vida de crianças, jovens e adultos que ali se dirigiram para implorar a intercessão da Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas também em nosso contexto diocesano celebramos os 300 anos de emancipação da cidade de Oeiras, sede desta Diocese. Aqui a história vem sendo construída sob as bênçãos e graças de nossa medianeira Mãe, Nossa Senhora da Vitória. Mãe Aparecida, Mãe da Vitória: títulos diferentes que nos direcionam para a mesma pessoa.

Através desta Festa a Igreja nos proporciona mais uma oportunidade de refletirmos sobre a importância de Maria na vida de cada um de nós. Maria é figura eminente do Evangelho.

O Evangelho que hoje nos é proposto apresenta-nos a figura de Maria que tem uma participação ativa na vida da comunidade, junto ao seu Filho Jesus Cristo. A circunstância da presença de Jesus e de Maria em Caná aparentemente não tem nada de extraordinário: trata-se de uma simples celebração de bodas.

Com Jesus estava Maria. Não por acaso. Ela que na hora solene da cruz será constituída a Mãe dos viventes, em Caná já representa a humanidade nova, a Igreja, a esposa. Podemos afirmar que em Caná é manifestado o papel extraordinário de Maria no plano da salvação.

Os protagonistas do banquete são Jesus e Maria. Quando falta o vinho, Maria, com a sua intuição feminina percebe a situação embaraçante. Ela se aproxima de Jesus e, como se lhe pedisse a coisa mais natural deste mundo: “não têm mais vinho! Resolves o problema!”

Para o Filho as palavras são tão claras que a resposta é imediata: “Que queres de mim, mulher? Minha hora ainda não chegou” (Jo 2,4). Esta resposta nos dá a impressão de haver um tom irreverente, como se Jesus quisesse excluir Maria da própria missão. O significado das palavras de Jesus se deduz pelo seu comportamento: “Minha hora ainda não chegou”. Porém, cumpre o desejo de sua Mãe. Assim antecipa e preanuncia a sua hora.

É a hora da cruz, das verdadeiras bodas de Cristo com a Igreja à qual será oferecido o cálice da salvação e da alegria. O que acontece em Caná é o SINAL daquela realidade futura. Por isso, recebida da parte de Jesus aquela resposta, Maria se volta simplesmente aos servos dizendo: “Façam o que Ele vos disser”(Jo 2,5). Este pequeno versículo nós o tomamos como Lema de nossa Festa, para fazer ressoar em nossos ouvidos e em nosso coração, durante todo o novenário, a recomendação de Nossa Senhora: “Façam tudo o que Ele vos disser”. Os servos fazem realmente aquilo que Jesus os ordena. Maria os conduz à obediência da fé. Enquanto discípula, a partir daquele momento Maria se torna a mãe dos viventes.

Com a força da fé de Maria e da obediência dos servos, a água transformada em vinho anuncia a transformação interior da humanidade debilitada por causa do pecado.

Para que o divino plano de salvação se realize, cada um de nós é chamado a entrar no mistério da graça da hora de Jesus. Em cada um de nós há uma hora para nascer e uma hora para morrer; uma hora que não podemos escolher, mas que devemos aceitar. O cristão morre em Cristo e este morrer é entrar na verdadeira vida, porque a hora da morte de Jesus coincide com a sua glorificação; a morte é superada pela ressurreição. Cremos nisto?

Jesus é o verdadeiro Esposo que não nos deixa nunca faltar o vinho para a felicidade da Igreja, sua Esposa. O episódio das bodas  nos ajuda a perceber também os aspectos simplesmente humanos do comportamento de Jesus e de sua mãe naquela particular circunstância. Jesus e Maria não eram pessoas que viviam como estranhos na realidade quotidiana das pessoas. Quantas vezes, percorrendo as páginas do Evangelho  encontramos Jesus enxugando as lágrimas das pessoas e reacendendo sorrisos! Assim, Deus nos ensina que é nas coisas aparentemente simples e humildes que Ele manifesta a grandeza do seu amor.

 

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