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Mensagem de Dom Edilson Nobre em alusão ao centenário de Dom Edilberto Dinkelborg

Centenário de Dom Edilberto Dinkelborg, OFM (1918-2018)

 

“Amou-nos até o fim”(Jo 13,1).

 

Dom Edilberto Dinkelborg foi o 3º Bispo de Oeiras – Aqui chegou em 1959 e permaneceu até os últimos dias de sua vida (26/12/1991). Foram 32 anos de entrega a serviço desta nossa Igreja Diocesana e do Piauí.

Quem foi Dom Edilberto? O que sabemos a seu respeito? Me aproprio de algumas informações a mim concedidas pelo Padre Henrique Geraldo Martinho Gereon por ocasião de minha chegada a Oeiras. O Dom Edilberto nasceu no Norte na Alemanha em 1918 e em 1935,  aos 17 anos de idade, veio de navio para o Brasil junto a um contingente de 65 adolescentes vocacionados para as missões. Foram adolescentes que vieram movidos pelo ideal Franciscano para a Província de Santo Antônio, da Congregação dos Frades Menores com sede no antigo convento de Olinda e conventos em todo o litoral nordestino.  Imaginemos o impacto experimentado por estes jovens, tendo que deixar para trás o País, a família, os amigos e a cultura para se inculturar numa realidade completamente nova e diferente. Isto representa um ideal abraçado que tem como fonte de inspiração certamente as inúmeras vocações iluminadas pela Escritura Sagrada, como foi, por exemplo, o caso de Abraão: “O Senhor disse a Abrão: ‘Deixa tua terra, tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que eu te mostrar. Farei de ti uma grande nação; eu te abençoarei e exaltarei o teu nome, e tu serás uma fonte de bênçãos’” (Gn 12, 1-3). Abrão acreditou e a promessa de Deus se cumpriu. Merecem atenção especial as palavras de Jesus que acabamos de ouvir no Evangelho de hoje narrado por São Lucas: “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,26). E ainda: “Qualquer um de vós, se não renunciar a tudo que tem, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,33). Certamente estas palavras soaram fortemente nos ouvidos daquele jovem alemão e movido por um ideal cristão encarou os desafios, atravessou o oceano de navio e veio para o lado de cá entendendo que Deus tinha um propósito para ele. Viveu o processo de formação e em 1943 ordenou-se presbítero. Imaginemos que o processo de comunicação naquela época era bastante complexo. “Durante 13 anos não teve comunicação com a família, perdeu dois irmãos como soldados de guerra, e quando viajou para celebrar a sua primeira missa na cidade natal, não achou mais os pais já falecidos sem que ele tivesse tido a notícia”, relatou o padre Geraldo. Como presbítero Administrou as obras sociais da Província de Santo Antônio morando em Salvador na Bahia e foi assistente espiritual das obras da Irmã Dulce (hoje, beata Dulce dos Pobres).

Em 1959  o Papa João XXIII (São João XIII, canonizado pelo Papa Francisco) o nomeou Bispo para a Diocese de Oeiras e aqui nesta Diocese ele permaneceu durante 32 anos. Ele tomou como lema para o exercício do seu ministério episcopal um trecho do Evangelho de São João: “Amou-os até o fim”. Por que este lema? Em que contexto o Evangelho traz essa frase? João o apresenta no momento em que Jesus estava para lavar os pés dos seus discípulos, preparando-se para a sua paixão. Nas últimas horas de convivência com os seus, Jesus manifesta de maneira suprema e mais explícita o amor que, desde sempre, nutria por eles. “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). As palavras “até o fim” significam até o fim de sua vida, até o último respiro. Elas, porém encerram também a ideia da perfeição. Querem dizer: amou-os completamente, totalmente, com uma intensidade extrema, até a medida máxima. Porventura, alguém tem dúvidas que Dom Edilberto tenha tomado para si estas palavras e tenha doado a sua vida por Jesus e sua Igreja? Seria alguém capaz de duvidar do seu amor por esta porção do povo de Deus, quando aqui ele viveu durante 32 anos buscando sempre a melhoria e o crescimento espiritual, cultural e social deste povo, principalmente os mais pobres sedentos de Deus?

Conforme atesta o Padre Geraldo, “o compromisso com os pobres fazia parte da trajetória de Dom Edilberto e realizava-se no meio dos pobres agricultores sertanejos de sua diocese”. Trata-se de um bispo de espírito missionário, tendo realizado Missões em várias Paróquias, com um discurso e uma pratica alinhados ao espírito do Concílio Ecumênico Vaticano II e da Conferência Episcopal Latino-americana, conforme o pensamento dos documentos de Puebla e Medellin. Alguém que não só bebeu da fonte do Vaticano II, mas que contribuiu, como bispo novo, quando tinha apenas quatro anos de episcopado, das discussões e conclusões deste importante Concílio Ecumênico. Certamente, muitos de vocês que aqui estão presentes que foram testemunhas oculares do pastoreio de Dom Edilberto têm muito mais o que dizer e o que testemunhar a respeito da vida deste homem, mas terão em ocasiões posteriores possibilidades de fazê-lo para avivar sempre mais a memória do nosso povo que merece e tem o direito de conhecer a verdade dos fatos que servem de estímulo, sobretudo para os jovens que buscam ideais para a sua vida.

Para preservar a memória, nós temos aqui nesta Igreja Catedral a lápide que sinaliza o lugar onde se encontram os restos mortais do nosso querido Dom Edilberto para que os que visitando esta casa e encontrando o seu túmulo não nos esqueçamos daquele que como apóstolo de Jesus, cuidou de suas ovelhas e amou-as até o fim.

Rogamos a Deus por Dom Edilberto Dinkelborg e que ele interceda a Deus por nós e por esta Diocese. Amém!

Oeiras, 07 de novembro de 2018.

 

Dom Edilson Soares Nobre

Bispo Diocesano de Oeiras

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