Notícia da Diocese

Futebol, política e religião se discute sim!

Autor: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

 

 

Estamos às vésperas de uma grande eleição e o clima político, nas ruas e nos guetos, mistura extremos polarizados, da paixão à indiferença… A política virou assunto nacional mas, ainda, reflete distância e a aversão por causa dos descalabros atuais.

No dia a dia de todos, é muito comum a gente ouvir e até dizer que futebol, política e religião não se discute. De fato, há um pensamento, nada inocente que pretende reduzir ao silêncio, questões vitais de nossa existência.

O seu silêncio interessa a alguém e, não é você! Na verdade é todo um sistema que funciona à base do silêncio ou do emudecimento.

O Tabu, sobre determinados assuntos, favorece a “ideologia do silenciamento” e mantém as pessoas distantes da própria vida; completamente fora do mundo; absolutamente alienadas; violentamente massificadas.  Isso é intencional e, é próprio de uma sociedade e cultura de poder que se vale da asnificação das pessoas para manter privilégios e privilegiados, corruptores e corrompidos, opressores e oprimidos…

Aliás, na sociedade e cultura de poder, há um grande investimento para criar e desenvolver instrumentos de aliciamento e massificação que mantenham as pessoas ocupadas o dia todo com coisas miúdas, insignificantes, ilusórias e, portanto, distantes da vida. Enquanto isso, os ‘lobos trabalham tranquilos’ num campo de muitas ‘caças’.

Pessoas conscientes são pessoas livres e representam um grande perigo para o ‘status quo’ de todos os donos de poder e seus aparelhos de silenciamento.

Somente pessoas que pensam, que conversam sobre a vida, que dialogam sobre as dificuldades, que discutem os problemas e que enfrentam os desafios crescem e amadurecem.

Vida que não cresce e não amadurece não é vida, é robótica, é máquina; é repetição mecânica de uma produção em série. E nós não somos máquinas! Somos humanos! Somos gente! Como dizia Chaplin: Soldados! Não vos entregueis a esses brutais… que vos desprezam… que vos escravizam… que arregimentam as vossas vidas… que ditam os vossos atos, as vossas ideias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos” (Charles Chaplin em “o último discurso: o grande ditador”).

Como podemos ficar calados diante da vida que clama, sem nos tornarmos cúmplices das injustiças?

Quem estudou a história sabe o que o poder romano fez para manter-se absoluto frente às crises trazidas pelo escravismo. A escravidão desequilibrou a ‘estabilidade’ social e gerou muito desemprego na zona rural. Muitos camponeses perderam seus empregos. Esta massa de desempregados migrou para as cidades romanas em busca de empregos e melhores condições de vida. Receoso de que pudesse acontecer alguma revolta de desempregados, o imperador criou a política do Pão e Circo. Esta olítica consistia em oferecer, aos romanos, alimentação e diversão. Quase todos os dias ocorriam lutas de gladiadores nos estádios (o mais famoso foi o Coliseu de Roma), onde eram distribuídos alimentos. Desta forma, a população carente acabava esquecendo os problemas da vida, diminuindo as chances de revolta.

Como podemos ficar calados diante da política sem que estejamos abençoando e endossando a lastima social e moral dos carreiristas de gabinete?

Como diz Bertold Brecht, teatrólogo alemão: “O pior analfabeto é o analfabeto político, ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.”

Tudo na vida é passível de um olhar, de diálogo, de conversa, de discussão… Futebol, política e religião se discute sim e, tal ato é capaz de provocar uma grande revolução.

 

Por: Pe. Edivaldo Pereira dos Santos

FOTO: Google

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