Notícia da Diocese

A igreja pela primeira vez celebra a memória dos santos André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e seus companheiros, do Rio Grande do Norte-BR

Autor: João Marcos Martins Ramos

A canonização é o ato pelo qual o Pontífice, exercendo o seu poder no magistério supremo da igreja, proclama em forma solene e definitiva que um cristão católico está na glória do céu, podendo ser venerado publicamente no culto litúrgico, como intercessor junto a Deus. Na causa dos Protomártires do Brasil, tratando-se de um fato histórico comprovado por cientistas, com mortes por motivo violento a fé católica e por terem aceitado voluntariamente a condição do massacre, a Igreja reconhece de forma pública a santidade no martírio, em primeiro momento, o título de servo de Deus, beato, até serem proclamados santos. Um ponto importante é a convicção dos fiéis no que os postuladores costumam chamar de “fama de santidade”, a difusão da devoção no meio dos fiéis locais, aos então candidatos a canonização.

 

As investigações para a comprovação da veracidade dos martírios de Cunhaú e Uruaçu, segundo o primeiro postulador da causa, monsenhor Francisco de Assis Pereira, se deram com pesquisas voltadas para o século XVII, com os testemunhos dos cronistas portugueses, que narraram pela primeira vez os fatos do massacre Potiguar, no século XVIII e XIX, analisando os historiadores atuais que não aceitavam repetir a narrativa dos depoimentos dos primeiros escritos, mas aceitavam o conteúdo expresso acerca dos fatos religiosos, no século XX, a pesquisa teve o intuito de analisar a notoriedade da santidade dos mártires, com o incentivo a veneração local, através da Arquidiocese de Natal.

 

No dia 23 de março de 2017, a Santa Sé anunciou a posição favorável do santo padre a canonização dos Bem-aventurados Mártires de Cunhaú e Uruaçu. Em 15 de outubro de 2017, os mártires receberam as honras dos altares, na Praça São Pedro, no Vaticano, por meio de ofício solene presidido pelo Papa Francisco. Dos santos, 28 são leigos e 2, sacerdotes, todos em seu cotidiano eram potiguares (alguns com observações de nacionalidade, como português e espanhol).

 

A Arquidiocese de Natal, após a canonização, celebrou três missas solenes nas cidades de seu território, em Nazaré (Natal), Uruaçu (São Gonçalo do Amarante) e em Cunhaú (Canguaretama), sendo esta última presidida pelo Arcebispo Metropolitano, Dom Jaime Vieira Rocha. Atualmente, os campos que ocorreram os martírios, recebem visitações de peregrinos e turistas, motivados pela emoção dos fatos ou pelo atrativo histórico-cultural que se confundem com a fundação econômica e social do Rio Grande do Norte.

 

O cultivo da fé nos mártires, partiu de figuras importantes do âmbito eclesiástico, como bispos, padres, religiosos, leigos historiadores e devotos, tidos como “apóstolos dos mártires”, que geraram movimentos devocionais de peregrinação, a Cunhaú e Uruaçu. Os mártires contribuíram em forma de testemunho para a fé do povo de Deus no Brasil, sendo corresponsáveis na construção da educação social, primeiro vivenciada e exposta ao longo dos tempos, na religiosidade e no patriotismo.

 

Por João Marcos Martins Ramos

acadêmico em gestão de turismo/IFRN

Pascom do Santuário de Cunhaú, Canguaretama RN.

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